Publicado em 27 out 2026 • por Emmanuelly Castro dos Santos •
O eco de histórias construídas com dedicação e amor reverbera por corredores que viram o tempo passar, mas que guardam a essência daqueles que moldaram o futuro do Detran de Mato Grosso do Sul. A jornada no serviço público carrega um peso histórico fundamental, sendo a engrenagem viva que transforma Leis, Resoluções, procedimentos burocráticos e rotinas diárias em cidadania real e direitos garantidos para toda a sociedade sul-mato-grossense.
Uma trajetória que se destaca nessa jornada, é o do servidor José Ladário Pardo Sanches, de 66 anos. Conhecido e muito conhecido, como “Seu Ladário”, esse campo-grandense começou sua trajetória no dia 16 de abril de 1979, em Corumbá. Naquela época, o cenário institucional era completamente diferente, marcado por métodos que hoje parecem distantes da realidade tecnológica, exigindo paciência e um rigor manual impressionante.

Trabalho artesanal
O trabalho diário com veículos era conduzido de forma inteiramente artesanal, onde tudo dependia do esforço humano individual e de registros físicos guardados em arquivos de papel. “Era tudo assim, na base do papel, caneta, escrever, arquivo”, relembra com carinho ao detalhar como funcionavam as vistorias e os licenciamentos veiculares nas décadas passadas.
Para manter o controle da frota, Ladário conta que os proprietários precisavam apresentar o antigo Certificado de Registro de Veículo, além de quitar impostos federais específicos e apólices de seguros obrigatórios contratadas de forma totalmente separada. A comprovação de que o veículo estava em dia era feita por meio de pequenas plaquetas (chamadas de tarjetas) coloridas fixadas nas placas traseiras, cujas tonalidades mudavam a cada ano para orientar a fiscalização dos agentes de trânsito.

Avanços tecnológicos
Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, o Detran-MS enfrentou um enorme desafio da informatização e a chegada do sistema RENAVAM, exigindo uma transformação profunda nos métodos de trabalho. Seu Ladário estava presente nesse processo e conta que o período de transição foi marcado por esforço intenso, pilhas de documentos e horas intermináveis de dedicação para alimentar o novo banco de dados. “Eu levava para casa caixas e caixas de processo para poder preencher as planilhas com os dados dos veículos da nossa frota”, relata sobre o trabalho incansável para cadastrar as informações do interior.
Reconhecimento nacional
A excelência e o compromisso demonstrados ao longo dos anos abriram portas para que sua contribuição alcançasse nível nacional, participando ativamente de reuniões e decisões estratégicas em Brasília. Como coordenador do RENAVAM no estado, Ladário ajudou a desenhar diretrizes, resolver impasses sistêmicos complexos e integrar o Mato Grosso do Sul às inovações do trânsito brasileiro, tendo seu nome, junto dos colegas, eternizado na contribuição com o no manual nacional de procedimentos da área.

“De 2000 a 2005, quando eu fui coordenador do RENAVAM, alguém em Brasília teve a ideia de criar o Manual Nacional do RENAVAM. Aí lembraram que tinha alguma coisa lá no Mato Grosso do Sul. Então o nosso manual foi a base para o manual do RENAVAM nacional. E isso traz uma satisfação muito grande, não só para mim, mas como o Pedroso (Agrícola Pedroso) e o Rui Barbosa. E ainda todos aqueles que participaram na elaboração do manual do Mato Grosso do Sul. Ele serviu de base para o manual nacional. Então, você imagina, nós temos uma alegria, uma satisfação de ter contribuído para que o manual do nacional fosse criado. Puxa vida, nós deixamos um legado muito, muito bom, muito bonito, muito importante para as pessoas que estão vindo aí”, conta Ladário.
Amizades e família
A construção de laços profundos e verdadeiros foi a marca registrada de uma carreira inteiramente dedicada ao serviço público. “Antigamente o Detran era uma família. Era uma família e por isso a gente tem esse carinho, tem esse respeito, tem esse amor pelos colegas”, relembra o servidor com profunda emoção ao destacar o sentimento de união que moldava o ambiente de trabalho. Ao saber que as pessoas lembram de sua trajetória com afeto comprovando a força de uma convivência baseada no respeito mútuo e na simplicidade, cultivada em cada setor por onde passou, Ladário se emocionou.
“Nós estabelecemos uma amizade muito sincera, muito intensa mesmo, sabe?”, pontuou, reforçando que essas parcerias se transformaram em lembranças eternas guardadas no coração.

Legado no funcionalismo público
Após mais de quatro décadas de serviços prestados, coroadas por uma aposentadoria oficializada em junho de 2021, o sentimento predominante é o de dever cumprido e profunda gratidão pela oportunidade de servir. “A minha vida foi boa, eu tive um bom emprego, foi um lugar que eu aprendi um tanto de coisas e eu dei o melhor de mim”, resume com emoção ao olhar para trás e perceber que cada sacrifício valeu a pena.
O legado deixado por este pioneiro permanece vivo como fonte de inspiração para as novas gerações que ingressam no serviço público, mostrando que a verdadeira recompensa está na consciência tranquila. “Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria com o maior prazer e talvez melhor do que eu fiz”, conclui, provando que a paixão pela instituição e pelo atendimento à população é uma marca definitiva que o tempo jamais poderá apagar.

Emmanuelly Casto, Comunicação Detran-MS
Fotos: Arquivo pessoal remasterizadas em IA