Maio Amarelo: fator humano em sinistros de trânsito é tema painel que encerra debate público-privado sobre a Rota Bioceânica em Campo Grande

  • Publicado em 27 maio 2026 • por Emmanuelly Castro dos Santos •

  • O 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária encerrou oficialmente suas atividades na tarde de ontem, terça-feira (26/05). O evento consolidou-se como um divisor de águas ao apontar caminhos e trazer inúmeras perspectivas para o desenvolvimento da mobilidade segura na Rota Bioceânica — o corredor logístico que interligará o Brasil ao Oceano Pacífico. O encerramento dos debates deixou claro que o futuro da competitividade desse corredor depende diretamente de um trânsito mais humano e de uma visão sistêmica sobre a segurança viária.

    Entre os painéis finais de discussão, a palestra master “Eficiência em Movimento: O Impacto Direto da Segurança na Operação”, proferida pelo Professor Dr. Renato Fialho trouxe uma forte reflexão sobre como a eficiência e a governança nas corporações de transporte impactam diretamente os índices de sinistros.

    Em sua participação, Renato Fialho provocou o público ao afirmar que a narrativa tradicional de culpar unicamente o motorista está superada. “Acidentes não são puramente fator humano. 90% dos acidentes decorrem de fatores organizacionais. A organização está falhando em algum momento”, disparou. Ele ressaltou que a busca de mercado deve migrar da punição para o gerenciamento de processos. “Não estamos falando de culpa, estamos falando de responsabilidade. É nossa responsabilidade fazer uma gestão eficiente da operação. O fator humano é responsável pela maioria dos acidentes, mas também pela maioria das soluções. Para o dia de hoje, a resposta é cuidar do nosso: cuidar de pessoas, de gente.”

    A painelista Laís Dionízio, engenheira especialista em Supply Chain e Logística, complementou a discussão abordando o fenômeno do “excesso de confiança”. Segundo Laís, motoristas experientes e funcionários administrativos tendem a relaxar a atenção e adotar comportamentos inseguros em rotas conhecidas ou ao se aproximarem do destino por acreditarem que dominam o cenário. Ela enfatizou a necessidade de as lideranças manterem o nível de qualidade e alertarem continuamente que o trânsito é, por essência, um ambiente de risco.

    Painelistas receberam homenagem pela participação

    Educação para o Trânsito e o Princípio do Visão Zero

    O grande destaque do painel foi a defesa intransigente da Educação para o Trânsito e da humanização corporativa, pautas lideradas pela painelista Andrea Moringo da Silva. Pedagoga, especialista em trânsito e Diretora de Educação para o Trânsito do Detran-MS, Andrea trouxe para o debate os conceitos internacionais do Sistema Seguro e da filosofia Visão Zero (que estabelece que nenhuma morte no trânsito é aceitável).

    Em sua fala, Andrea Moringo enfatizou a urgência de uma responsabilidade compartilhada entre instituições, empresas e condutores, e jogou luz sobre os atores mais frágeis das vias:

    “Essa questão da responsabilidade compartilhada. Porque de acordo com o sistema Seguros e o Visão Zero, toda situação envolvendo trânsito tem a falha humana. Em algum momento, nós vamos errar no trânsito. Não nos dão o direito de perder a vida e nem tirar a vida de ninguém”, disse.

    Andrea também chamou a atenção para a necessidade de tornar a profissão de motorista viável e segura, sem que todo o peso do estresse logístico recaia sobre as costas do trabalhador. “A prevenção é um fator fundamental também de levar para essas empresas essa importância do autocuidado, da direção responsável, direção segura, direção econômica. Mas quem está na empresa no dia a dia também tem que ter esse olhar mais humanizado para o profissional”, concluiu a diretora.

    O Auditor Fiscal do Trabalho e engenheiro de segurança, Flavio Nunes, fechou a linha de raciocínio do painel desmistificando o que chamou de “cultura do senso comum”. Ele apresentou os seguintes pontos fundamentais sobre a realidade fiscal e trabalhista das empresas brasileiras.

    Com o encerramento do fórum, ficou evidente que a consolidação da Rota Bioceânica exigirá do Mato Grosso do Sul e de seus parceiros comerciais muito mais do que grandes obras de engenharia. Para o organizador do evento. André Luiz Ferreira, a “Rota Bioceânica demandará uma sólida cultura de prevenção, investimentos robustos em educação para o trânsito e a coragem corporativa de humanizar as relações de trabalho nas estradas”.

    Emmanuelly Castro, Comunicação Detran-MS

    Fotos: Rachid Waqued

    Categorias :

    Maio Amarelo, Notícias

    Veja Também